Segundo o Padre José Gabriel Funes, astrônomo-chefe do Vaticano, que publicou uma reflexão no Jornal do Vaticano, L’ Osservatore Romano, pode existir vida em outros planetas e até mesmo vidas inteligentes.
Ele ressalta que estes seres também seriam criados por Deus, que é infinito e pode tudo, mas que não carregam sobre si o pecado original e que são nossos irmãos.
Esta notícia circulou na internet e em alguns principais jornais do nosso país, neste mês de maio. Para muitos, foi algo maravilhoso e fantástico. Muita coisa mudou, principalmente para os ufólogos. Agora, com a aceitação do Vaticano na possibilidade de vidas em outros planetas, eles sentiram uma ratificação às suas teses.
Eu, particularmente, não vejo nada de novo. Afinal, já escrevi aqui que muita gente vive como sendo um extraterrestre e que essas pessoas fazem parte da igreja cristã.
O maior problema não se encontra em novas vidas em outros planetas, o problema se encontra na expressão “são nossos irmãos”, “não têm o pecado original” e etc. A partir dessas afirmações voltamos ao início da era da colonização, onde algumas pessoas determinavam o que era certo e o que era errado na vida de cada um.
O ser humano, por ter personalidade própria, é único, com características semelhantes aos outros, mas é único. Não é possível determinar que certa atitude ou costume seja certo ou errado.
Continuamos sob a ótica inquisitória que determina o que se deve ser feito e o que é correto. Não temos o livre-arbítrio! Não por culpa divina, mas por imposições eclesiásticas! Só devemos fazer o que determinam e não o que nos faz sentir bem.
É incrível como o ser humano, principalmente os brasileiros, não vê o que está ocorrendo neste início de novo século. Será que ninguém percebeu que com a passagem pelo ano 2000 e a chegada ao ano 2010, as instituições eclesiásticas estão preparando novas teorias sobre o fim do mundo? Talvez passem a traduzir alguns textos da forma correta como os que constam em II Pedro 3.13 e Apocalipse 21.1, já que sempre traduziram conforme era oportuno para o momento.
É tempo de novos céus e nova terra sim!
Não outros planetas com seres superiores racionalmente ou espiritualmente do que os que habitam em nosso planeta, mas um novo planeta Terra onde o ser humano se preocupe com o seu vizinho ou outro ser humano qualquer. É preciso ter senso de responsabilidade por este planeta e cuidar dele para não destruí-lo mais do que já está sendo. É preciso parar de querer ser esperto e egoísta, querendo mais que os outros e aprender a compartilhar. Afinal, aqui está o milagre dos pães e dos peixes, o compartilhamento dos alimentos com outras pessoas, ao invés do egoísmo.
O ser humano tem que acordar e parar de acreditar em tudo o que ouve e passar a pensar. Lembro-me da década de 80 onde procurávamos um espaço para pensar e produzir pensamentos. Era uma terrível luta para que as universidades e faculdades abrissem cursos nas áreas de ciências humanas. Hoje, temos tantas instituições de ensino superior com vários cursos, mas continuamos não querendo pensar, muito menos produzir pensamentos. Isto afirma a tese de minha mãe que dizia que pensar dói!
Será que já se esqueceram que as palavras são objetos fálicos que penetram o útero feminino existente no ouvido e geram vida?
Enquanto vivermos esperando que outros nos ensinem o que é certo e errado ou que imponham quais são os costumes corretos para uma sociedade, continuaremos aprendendo a sermos egoístas, hipócritas, desumanos, enfim, desaprendendo a conviver em sociedade.
Se vocês acham que estou exagerando, esperem um pouco mais e verão novos sinais escatológicos e apocalípticos. Daqui a pouco surgirão novas profecias e novas interpretações bíblicas. O novo lema se baseará numa nova vida em outro planeta, estilo uma vida eterna com teor intergaláctico, parecido com filme de ficção cientifica. Afinal, como viver em um mundo destruído e que não aceita mais o ser humano?
Padres, pastores, bispos, gurus e outros líderes religiosos continuarão passando para as pessoas suas interpretações das interpretações contidas na Bíblia e não aprenderemos nada. E, por fim, muitos estarão ainda, aguardando uma vida eterna, onde o mar é de cristal e as ruas são de ouro (nada mal para um povo capitalista!).
Não se iludam! Hoje os possíveis extraterrestres são irmãos e sem a culpa do pecado original, mas se eles existirem e tiverem contatos com tais líderes e, principalmente, com os do cristianismo, terão um pecado inconsciente e terão que pagar impostos religiosos e litúrgicos para obterem o perdão.
Pelo menos, ao ler este artigo do Padre Funes, descobri duas coisas: Alguém tem que ser nosso irmão e não ter culpa alguma, porque esta história não está mais surtindo o efeito esperado; e que os extraterrestres de minha crônica têm uma família muito grande e espalhada em todo universo.
Não sei o que vocês farão, mas eu continuarei vivendo como um ser humano normal e pecando segundo os dogmas eclesiásticos e teológicos.
Afinal, pecador foi feito para pecar!



