quinta-feira, 22 de maio de 2008

Novo Céu, Nova Terra, Novo planeta, Novos irmãos e Novos dogmas


"Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita justiça. II Pedro 3.13"

Segundo o Padre José Gabriel Funes, astrônomo-chefe do Vaticano, que publicou uma reflexão no Jornal do Vaticano, L’ Osservatore Romano, pode existir vida em outros planetas e até mesmo vidas inteligentes.

Ele ressalta que estes seres também seriam criados por Deus, que é infinito e pode tudo, mas que não carregam sobre si o pecado original e que são nossos irmãos.

Esta notícia circulou na internet e em alguns principais jornais do nosso país, neste mês de maio. Para muitos, foi algo maravilhoso e fantástico. Muita coisa mudou, principalmente para os ufólogos. Agora, com a aceitação do Vaticano na possibilidade de vidas em outros planetas, eles sentiram uma ratificação às suas teses.

Eu, particularmente, não vejo nada de novo. Afinal, já escrevi aqui que muita gente vive como sendo um extraterrestre e que essas pessoas fazem parte da igreja cristã.

O maior problema não se encontra em novas vidas em outros planetas, o problema se encontra na expressão “são nossos irmãos”, “não têm o pecado original” e etc. A partir dessas afirmações voltamos ao início da era da colonização, onde algumas pessoas determinavam o que era certo e o que era errado na vida de cada um.

O ser humano, por ter personalidade própria, é único, com características semelhantes aos outros, mas é único. Não é possível determinar que certa atitude ou costume seja certo ou errado.

Continuamos sob a ótica inquisitória que determina o que se deve ser feito e o que é correto. Não temos o livre-arbítrio! Não por culpa divina, mas por imposições eclesiásticas! Só devemos fazer o que determinam e não o que nos faz sentir bem.

É incrível como o ser humano, principalmente os brasileiros, não vê o que está ocorrendo neste início de novo século. Será que ninguém percebeu que com a passagem pelo ano 2000 e a chegada ao ano 2010, as instituições eclesiásticas estão preparando novas teorias sobre o fim do mundo? Talvez passem a traduzir alguns textos da forma correta como os que constam em II Pedro 3.13 e Apocalipse 21.1, já que sempre traduziram conforme era oportuno para o momento.

É tempo de novos céus e nova terra sim!

Não outros planetas com seres superiores racionalmente ou espiritualmente do que os que habitam em nosso planeta, mas um novo planeta Terra onde o ser humano se preocupe com o seu vizinho ou outro ser humano qualquer. É preciso ter senso de responsabilidade por este planeta e cuidar dele para não destruí-lo mais do que já está sendo. É preciso parar de querer ser esperto e egoísta, querendo mais que os outros e aprender a compartilhar. Afinal, aqui está o milagre dos pães e dos peixes, o compartilhamento dos alimentos com outras pessoas, ao invés do egoísmo.

O ser humano tem que acordar e parar de acreditar em tudo o que ouve e passar a pensar. Lembro-me da década de 80 onde procurávamos um espaço para pensar e produzir pensamentos. Era uma terrível luta para que as universidades e faculdades abrissem cursos nas áreas de ciências humanas. Hoje, temos tantas instituições de ensino superior com vários cursos, mas continuamos não querendo pensar, muito menos produzir pensamentos. Isto afirma a tese de minha mãe que dizia que pensar dói!

Será que já se esqueceram que as palavras são objetos fálicos que penetram o útero feminino existente no ouvido e geram vida?

Enquanto vivermos esperando que outros nos ensinem o que é certo e errado ou que imponham quais são os costumes corretos para uma sociedade, continuaremos aprendendo a sermos egoístas, hipócritas, desumanos, enfim, desaprendendo a conviver em sociedade.

Se vocês acham que estou exagerando, esperem um pouco mais e verão novos sinais escatológicos e apocalípticos. Daqui a pouco surgirão novas profecias e novas interpretações bíblicas. O novo lema se baseará numa nova vida em outro planeta, estilo uma vida eterna com teor intergaláctico, parecido com filme de ficção cientifica. Afinal, como viver em um mundo destruído e que não aceita mais o ser humano?

Padres, pastores, bispos, gurus e outros líderes religiosos continuarão passando para as pessoas suas interpretações das interpretações contidas na Bíblia e não aprenderemos nada. E, por fim, muitos estarão ainda, aguardando uma vida eterna, onde o mar é de cristal e as ruas são de ouro (nada mal para um povo capitalista!).

Não se iludam! Hoje os possíveis extraterrestres são irmãos e sem a culpa do pecado original, mas se eles existirem e tiverem contatos com tais líderes e, principalmente, com os do cristianismo, terão um pecado inconsciente e terão que pagar impostos religiosos e litúrgicos para obterem o perdão.
Pelo menos, ao ler este artigo do Padre Funes, descobri duas coisas: Alguém tem que ser nosso irmão e não ter culpa alguma, porque esta história não está mais surtindo o efeito esperado; e que os extraterrestres de minha crônica têm uma família muito grande e espalhada em todo universo.

Não sei o que vocês farão, mas eu continuarei vivendo como um ser humano normal e pecando segundo os dogmas eclesiásticos e teológicos.

Afinal, pecador foi feito para pecar!

sábado, 12 de abril de 2008

Jesus, nosso irmão


"Vede que manifestação de amor nos deu o Pai: Sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos!  Se o mundo não nos conhece, é porque não o conheceu.  Amados, desde já somos filhos de Deus, mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual ele é. "
1 João 3, 1 e 2


Não sei o que pode ser acrescentado na minha vida acreditar que Jesus seja semideus ou deus, sinceramente.

Prefiro a filosofia simples e perfeita de Jesus onde TODOS SOMOS IGUAIS.
E acredito que a ciência disso seria benéfica.

O sentimento de superioridade cria mazelas na humanidade. Quem alimenta isso é a religião, nascida por conquistadores que acreditavam ser a Luz do mundo.  A igreja criou esse mito no sec IV pois interessava a ela ser intermediária entre Deus e nós. Queria o poder, o mesmo sentimento rudimentar que temos e precisamos de semideuses para respeitar, e também o mesmo que faz alguém sobrepujar outros.

Eu abdico disso, prefiro o mundo sem igrejas, sem barreiras que separam mais que o satanas que seguidores do deus Jesus acreditam.
Eu nego a cruz, pois pra mim, não confio no que seus assassinos queriam que pensássemos, como sendo coisa santa.
Pra mim, foi e é um instrumento de tortura que os homens, ignorantes por não entenderem o que o rabino Jesus ensinou, com esse mesmo sentimento, o assassinaram.

Sou assim, livre, sem muros entre mim e qualquer ser humano. Prefiro assim, não preciso de milagres para crer em Deus. Vejo Deus em cada grão de areia, no vento, no sorriso de uma flor que se abre, nas águas, ma VIDA!
Enfim, da Natureza PERFEITA como é, sem precisar de alterações fantásticas que só servem aos de pouca fé, os que precisam de semideuses comprovados para seguir, ou nem isso, para se salvarem, perdidos que estão.

Não me considero superior por ser heterossexual, apenas tenho minha sexualidade assim e por entender assim, respeito se alguém preferir se relacionar de outra forma, com o mesmo sexo.
Não me considero superior por ser branco, pois sei que sou assim apenas porque descendo de pessoas que nasceram em regiões onde as pessoas são brancas, e pessoas que são de outras raças, simplesmente são de outra cor porque nasceram em lugares que as pessoas nascem com outra cor, apenas uma cor diferente.

Sinceramente, não creio no valor de acreditar que um homem da estatura de Jesus, precisa ser um alienígena, um semideus.
Prefiro vê-lo como exemplo de algo a se seguir em vez de vê-lo como um totem a se adorar.

Prefiro pensar no que nos disse em sua vida e foi exemplo, em vez de me apoiar na sua morte como cordeiro de sacrifício para me salvar sem que eu aprenda nada.

Se Jesus fosse um semideus, seria para mim uma perda, porque sou humano e ele de nada poderia me servir de exemplo.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Bíblia ontem e hoje: a história de Israel




Abordar o tema a história de Israel é uma das coisas mais complicada que existe no meio teológico e, se é assim neste meio, se torna mais complicado ainda no meio acadêmico teológico brasileiro. Afinal, no Brasil é comum ter o pensamento de que não se explica, apenas deve-se crer e isto é o suficiente.
A bíblia, por ser considerada um livro divino, é vista como a detentora da verdade e o ponto inicial da história de um único povo, dentre tantos, como sendo o escolhido por Deus.
Não se pode negar que ela é vista como um livro que contém muitos dados históricos. Então, se há dados históricos, há meios de comprová-los, pelo menos deveria haver. Junto a este ponto encontram-se várias dúvidas que esbarram na história e entre estas se encontra o começo da história bíblica.
Tradicionalmente é apresentado como fonte historiográfica a pessoa de Abraão e a sua viagem ao desconhecido mundo perfeito e esta viagem costuma ser datada por volta do ano 2000 a.C. Entretanto, este personagem é visto como sendo um ser humano superior ou muito diferente dos demais, porque ele sai de Ur dos Caldeus, mas não é influenciado pela cultura de Ur Nammu, nem caldaica. A tradição o apresenta assim e nem fala sobre os povos existentes na época. Esses povos são nem são mencionados e quando são, não têm a importância histórica devida. Dentro desta ótica, percebe-se que a visão poética da história de Abraão é linda porque a fé ultrapassa o ser humano e o elimina como homo sapiens.
Mesmo não abordando as condições sóciopolíticos das épocas, a bíblia apresenta a seca em Canaã como sendo um mal para a humanidade e, juntamente com isto, apresenta dois grandes líderes da fé, José e Moisés. A partir daquele Israel se torna uma grande família no Egito e isto é a justificativa para encontrar este povo habitando em meio ao Egito. Com Moisés, Israel se torna livre da escravidão para continuar a saga de Abraão.
Esta imensa família, após a libertação do Egito, torna-se num tipo de Movimento Sem Terra (MST) a caminho da promessa de novas terras. Canaã é o alvo e seus habitantes são os culpados por habitarem numa terra prometida por Deus à fé de Abraão. Através da invasão, do extermínio dos habitantes e do acordo feito com outros povos, Josué divide a grande família em doze tribos ou clãs que futuramente serão os dois reinos ou clãs divididos.
Em Canaã, os problemas continuam e o povo que precisa se portar como indiferente ou como se não fossem humanos, pois novamente a cultura que havia não servia e era inadequada para o povo de Israel. Todavia a cultura de Israel que é apresentada como sendo a melhor, não apresenta sua origem, mesmo assim é a única que agrada a Deus.
Por falar em Deus, a bíblia é vista como se houvesse um único Deus desde o início da criação do mundo, mas que se faz presente a partir de Abraão. No entanto, este Deus único precisa se sempre apresentar aos líderes de Israel, pois estes nunca o conhecem.
Ao passar habitar em Canaã, as tribos antes de serem divididas em dois reinos têm vários líderes locais, mais conhecidos como juízes. Após, o povo exige serem liderados por um monarca e inicia o ciclo de líderes denominados reis como: Saul, Davi e Salomão. Mas o interesse pelo poder e a divisão existente entre a liderança de Israel fazem com que aconteça a divisão das doze tribos em dois reinos, Norte e Sul. Ambos são pressionados por outros povos mais poderosos e com o tempo são presos e se tornam escravos novamente.
Junto a esses acontecimentos, surgem os profetas que exercem suas funções durante os reinos divididos e durante a escravidão. Eles criticam o seu povo, criticam mais a liderança do que qualquer outra coisa e o que era visto como poesia ou saga passa a se tornar num ciclo vicioso: pecado, arrependimento, confissão e salvação. Até que, por volta dos séculos VI a V a.C., surge um rei mais diplomático, Ciro olha para os descendentes de Israel e os ajuda. Deste ponto em diante, a história e a condição sóciopolítico se faz mais presente e Israel volta. Israel torna-se num só povo, reino do Sul (Judá), porque o reino do Norte (Israel) some da história igual aos demais que sumiram em toda a história bíblica apresentada.
Enquanto isto, o mundo está sofrendo as mudanças políticas necessárias e surge Alexandre o Grande, seus sucessores, o Império Romano e Israel se vê novamente com a necessidade de ser liberto de uma opressão. Surge então, a figura e a idéia de um Messias prometido por Deus à fé dos descendentes de Abraão. Isto faz tudo voltar ao início, a fé se torna a base do tradicionalismo bíblico e o que surgir a mais é ofensa a Deus. Afinal a fé do cristão é a entrada para a terra prometida, a Jerusalém celestial, a utópolis bíblica.
Através desta pequena síntese crítica é possível ter idéia que os estudantes da bíblia e teólogos têm passado no decorrer dos anos. As teorias que surgiram e surgem são as mais variadas e todas têm sentido, mas falta uma base. As fontes J, E, D e P que compõem a Hipótese Documentária em alguns anos serão vistas como rascunhos de teses teológicas e as novas teorias, mesmo sendo fruto de pesquisas científicas, continuarão caindo no descrédito diante da cultura cristã deste imenso Brasil.
Após a primeira década deste novo milênio, como nada apocalíptico será apresentado, talvez surjam novas interpretações das profecias bíblicas e surja uma nova esperança para os cristãos, mas sempre será baseada na tradição.
A tradição mostra que o antigo Israel sempre estará valorizado como relíquia histórica e mais atual do que nunca e que o novo Israel continuará sendo composto por novos cristãos, isto é, um bando de pessoas caminhando num deserto de informações, sendo indiferentes às condições sociopolíticas por causa da fé imposta pela tradição.
Pouco adiantará as pesquisas européias ou as teorias de teólogos como: Thompson, Grabbe, Carroll, Davies, Lemche e etc. Pois num país cristão como o Brasil, elas são manipuladas ou re-interpretadas e, até mesmo, consideradas heréticas tornando-se em novos escritos escondidos.
O melhor para o Brasil será entender as diferenças culturais dos povos da época bíblica, apresentar a Bíblia como um livro onde as pessoas escreveram o que entendiam sobre o divino e aprender como se deve aplicar os ensinamentos bíblicos no dia-a-dia. Desta forma a história de Israel terá um desfecho, onde o povo brasileiro aprenderá a respeitar os outros, a conviver em sociedade e valorizará este livro antigo e mais lido no mundo.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

"A religião é o esgoto que quer levar de nós o divino que em nós está"

terça-feira, 1 de abril de 2008

Simplesmente Anjos ou simplesmente Espíritos?

"Se vos disserem em voz baixa: 'Ide consultar os espíritos e os adivinhos', não consultará o povo os seus deuses, e os mortos a favor dos vivos?
À instrução e ao testemunho!
Se não falarem de acordo com esta palavra, certamente para eles não nascerá a aurora"
Is 8,19-20

"E lhes apareceu Elias com Moisés, conversando com Jesuss"
Mc 9,4



"O diálogo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo."

(Papa João Paulo II, perante mais de 20.000 pessoas na Basílica de São Pedro, em 2 de Novembro de 1983)


A frase de JPII foi fartamente publicado nos jornais Italianos da época, mas hoje, poucas pessoas se lembram.

O VATICANO RECONHECE A COMUNICAÇÃO COM ESPÍRITOS.



Neste filme, a repórter Ilze Scamparini faz perguntas ao Padre Gino Concetti, um dos Teólogos mais competentes do Vaticano :

Ilze Scamparini: "Existe Comunicação entre os Vivos e os Mortos ?"

Gino Concetti: "Eu creio que sim. Eu acredito e me baseio num fundamento teológico que é o seguinte : Todos nós formamos em Cristo, um Corpo místico, no qual Cristo é o Soberano. De Cristo emanam muitas graças, muitos dons, e se estamos todos unidos, formamos uma comunhão. E onde há comunhão, existe também comunicação."

Ilze Scamparini: "O que o Senhor pensa do Espiritismo ?"

Gino Concetti: "O Espiritismo existe. Há sinais na Bíblia, na Sagrada Escritura, no Antigo Testamento. Mas, não é do modo fácil como as pessoas acreditam. Nós não podemos chamar o Espírito de Michelangelo ou de Raphael. Mas como existem provas nas Sagradas Escrituras, não se pode negar que existe essa possibilidade de comunicação".